Alcuíno prega o Batismo

Não é “rito bonito”. É Cristo entregando perdão e vida ?✝️

Alcuíno de York, lá no século VIII, enxergou um problema que continua bem atual: muita gente fala de Batismo como se fosse só tradição de família, “apresentação”, ou um símbolo do que a pessoa decidiu por dentro. Só que a Escritura não deixa o Batismo virar enfeite. No Batismo, Deus age. Deus fala com água e Palavra. Deus entrega Cristo. Por isso Pedro pregou: “A promessa é para vocês e para os seus filhos” (At 2:39). E por isso Jesus foi direto: “Quem crer e for batizado será salvo” (Mc 16:16). Para crianças, é pura herança de promessa, Deus criando fé onde nós não conseguimos fabricar nada. Para adultos vindos de fora, a fé vem pelo ouvir da Palavra, e o Batismo sela publicamente aquilo que Deus dá no Evangelho (Rm 10:17). Em todo caso, é graça, não troféu.

E Alcuíno também foi firme num ponto que muita gente confunde: Batismo não é arma de Estado nem carimbo social. Ele confrontou a ideia de batizar “na marra” para produzir cristandade. Isso não é caminho de Cristo nem dos apóstolos. A Igreja evangeliza pela pregação, pelo ensino paciente, muitas vezes pagando o preço, não impondo “condições de rendição”. Por quê? Porque Deus não quer um povo só “cristianizado”, com etiqueta religiosa, mas um povo evangelizado, vivendo de arrependimento e fé. É por isso que precisamos catequese de verdade, no púlpito e na sala de instrução. Explicar sem medo: o que o Batismo faz, quem faz, o que Deus promete ali, e como o Batismo nos coloca numa vida inteira de Palavra, Confissão e Absolvição, e Santa Ceia. O velho Adão tenta reduzir tudo a decisão humana, performance e sentimento. O Evangelho insiste: aqui Deus salva do lado de fora, com meios humildes, do jeito que Ele sempre fez.

Oração ?
Senhor Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, nós te agradecemos pelo Santo Batismo, onde tu nos dás Cristo, perdão, vida e salvação. Perdoa-nos quando tratamos esse dom como costume vazio ou como símbolo da nossa vontade. Dá-nos fome da tua Palavra, alegria na tua promessa e fidelidade na catequese, para que crianças e adultos sejam instruídos, consolados e firmados na fé. Guarda tua Igreja para não usar teu nome como ferramenta de poder, mas como anúncio de misericórdia. Em nome de Jesus. Amém.

Desafio do dia ?
Hoje, faça duas coisas bem simples:

  1. Leia em voz alta Atos 2:39 e Marcos 16:16.

  2. Escreva uma frase e repita ao longo do dia: “Eu sou batizado. Eu pertenço a Cristo.”
    Se você convive com alguém que acha que Batismo é só “um ritual”, separe cinco minutos e explique com calma: “No Batismo, Deus promete e Deus entrega Jesus.”

 
FALE QUEM É O ALCUINO
 

Alcuíno de York (c. 735–804) foi um dos grandes eruditos e pastores do início da Idade Média, um inglês da região da Nortúmbria que acabou se tornando a principal mente por trás da reforma educacional e litúrgica no tempo de Carlos Magno.

Ele começou a vida ligado à escola catedral de York, um centro forte de estudo bíblico e teologia. Dali, Alcuíno ganhou fama por ser um “polímata”, daqueles que dominavam muita coisa: Escritura, teologia, gramática, retórica, poesia, música, e também o trabalho bem prático de organizar textos e ensino para a Igreja.

Quando Carlos Magno chamou Alcuíno para sua corte (por volta de 781), ele virou uma espécie de conselheiro e “ministro da educação” do império carolíngio. O objetivo era elevar o nível do clero e do povo: formar escolas, corrigir textos, padronizar a instrução cristã e fortalecer a catequese. Isso ficou conhecido como parte do chamado “Renascimento Carolíngio”, uma renovação cultural e eclesiástica importante no Ocidente.

Dentro da Igreja, Alcuíno ficou conhecido por três coisas bem marcantes:

  1. Catequese e ensino da fé
    Ele insistia que o povo precisava ser instruído na Palavra, especialmente sobre os sacramentos, como o Batismo. Não era “ritual automático”. Era dom de Deus que precisa ser pregado e crido.

  2. Liturgia e textos do culto
    Ele trabalhou na revisão e organização de materiais litúrgicos e de um homiliário (coleção de sermões para uso dos pregadores), ajudando a dar unidade e clareza ao culto no Ocidente. A lógica era simples: o culto tem de ser guiado pela Escritura.

  3. Conselho pastoral contra conversões forçadas
    Mesmo servindo ao imperador, Alcuíno criticou a ideia de batizar à força povos conquistados. Ele defendia que a fé não nasce por coerção, mas pelo Evangelho. Isso mostra que ele não era só um “intelectual de gabinete”, mas um pastor com consciência.

Resumindo: Alcuíno foi um teólogo e educador da Igreja, conselheiro de Carlos Magno, que trabalhou para fortalecer a instrução cristã, a vida litúrgica e a fidelidade bíblica no Ocidente. E por isso ele é lembrado como um nome importante para entender como a Igreja medieval também tinha vozes muito sérias e bíblicas, bem antes da Reforma.

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