Deixem os bebês virem a mim

A vida no ventre importa, e a graça em Cristo é maior que a culpa ?✝️?

No Brasil, o debate sobre aborto costuma virar dois extremos: gritaria de um lado, eufemismo do outro. Eufemismo é aquela palavra “macia” que tenta tirar o peso da realidade. Só que a Escritura não deixa nós chamarmos vida de “coisa”. Deus diz: “Antes de formá-lo no ventre eu o conheci” (Jr 1:5) e “tu me teceste no ventre de minha mãe” (Sl 139:13). O ponto não é ganhar uma discussão, é enxergar o próximo onde o mundo prefere ver “problema”. A criança no ventre é humana, frágil e totalmente dependente. E é justamente por isso que ela precisa de proteção. Quando Jesus diz: “Deixem vir a mim as crianças” (Mt 19:14), a palavra ali pode incluir também os bem pequeninos, os bebês. Cristo não manda afastar os vulneráveis. Ele manda trazer.

Só que a Igreja não fala disso como quem só aponta dedo. Sim, a Lei precisa falar com clareza: tirar a vida de um inocente é pecado, e nós não consertamos isso com slogans. Mas o Evangelho precisa falar mais alto ainda: Jesus Cristo veio para pecadores, para os culpados, para os quebrados, para quem se arrepende chorando no silêncio. A cruz não é só um cartaz moral. É o lugar onde Deus carregou culpa real. E nós cremos num Salvador que ressuscita os mortos, por isso a Igreja consegue tratar desse assunto sem desespero. Aqui existe perdão, existe recomeço, existe cura. E existe também um chamado concreto: ser povo que pratica a vida, amparando gestantes vulneráveis, oferecendo ajuda discreta, acolhendo, caminhando junto, e honrando adoção e acolhimento como obra de amor. A verdade sem misericórdia vira pedra. A misericórdia sem verdade vira fumaça. Em Cristo, nós recebemos as duas coisas. Verdade que chama pecado de pecado, e misericórdia que levanta o caído.

Oração ?
Senhor Jesus, que acolhes os pequenos e amas os vulneráveis, tem misericórdia de nós. Perdoa-nos quando tratamos a vida com leveza, quando seguimos a lógica do controle e do conforto, e quando nos omitimos diante do sofrimento. Protege as crianças no ventre e consola as mães e pais que estão com medo. Dá à tua Igreja coragem para dizer a verdade com amor e braços abertos para acolher quem carrega culpa e vergonha. Que a tua cruz seja nosso arrependimento e tua ressurreição nossa esperança. Em teu nome. Amém.

Desafio do dia ?
Hoje, faça duas coisas: 1) ore por uma gestante em vulnerabilidade e por uma criança ainda não nascida, pelo nome, mesmo que você não saiba quem é; 2) escolha um gesto de vida: oferecer ajuda prática a uma mãe, contribuir com um fundo de assistência da igreja, ou conversar com alguém com mansidão, sem debate, só com cuidado. E guarde esta frase no coração: em Cristo há perdão, e por isso nós escolhemos a vida.

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