?️ No deserto, o fundamento é a Palavra

Mateus 4:1-11 e o Filho que vence por nós

Mateus abre o início do ministério de Jesus de um jeito curioso. Depois do batismo, quando a voz do Pai declara: “Este é o meu Filho amado”, nós esperaríamos fogos, palco, aplausos, algo público. Mas o Espírito leva Jesus para o deserto. Silêncio. Fome. Tentação. É como construir um deck: antes de qualquer coisa bonita aparecer, tem que cavar, nivelar, firmar as bases. E o que Jesus faz ali não é um detalhe. É alicerce. O Filho entra no campo de batalha onde Adão caiu, onde Israel tropeçou tantas vezes, e onde nós caímos todo dia. Só que Ele entra para vencer.

As tentações têm uma lógica. O diabo tenta deslocar o eixo do ministério de Jesus. Primeiro, para o próprio Jesus: “Transforma pedra em pão”. Faça tua necessidade mandar. Depois, para um espetáculo religioso: “Atira-te do templo”. Force Deus a te provar diante de todos, transforme fé em show. Por fim, para um pragmatismo sujo: “Adora-me e eu te dou os reinos”. Como quem diz: “Salva o mundo, mas do meu jeito. Usa o atalho. Os fins justificam os meios.” É sempre assim. A tentação quase nunca vem dizendo “seja mau”. Ela vem dizendo “seja esperto”, “seja rápido”, “seja eficiente”, “seja o centro”. E Jesus responde de um jeito que parece simples, mas é decisivo: Ele se apoia na Palavra. Três vezes: “Está escrito.” Jesus não debate com o diabo no terreno dele. Ele não inventa uma espiritualidade nova. Ele se firma na Escritura, como quem finca estacas no chão.

E aqui está o Evangelho que consola de verdade: Jesus vence por nós. Ele é tentado como nós somos, mas sem pecado. Ele não usa seu poder para se servir. Ele não transforma o Reino em espetáculo. Ele não aceita a coroa sem a cruz. O caminho do Pai passa pela humilhação, pela obediência, pelo sofrimento que carregaria o pecado do mundo. O deserto aponta para o Calvário. E, no fim, a tentação não termina com “Jesus foi forte”. Termina com “Jesus foi fiel”. Fiel à Palavra. Fiel ao Pai. Fiel por você. A vitória dele não é exemplo moral para te esmagar, é promessa para te levantar.

Então, no início da Quaresma, Mateus também nos dá um conselho pastoral bem direto: volte à Palavra. Quando nós tentamos construir a vida em alicerces instáveis, carreira, reputação, controle, aprovação, até mesmo “religião como performance”, nós ficamos vulneráveis. A voz que segura o coração no deserto é a voz de Deus. A Palavra não é enfeite devocional. É fundamento. É onde Cristo fala, sustenta, guia e corrige. E onde Cristo está, o diabo não dá a última palavra.

? Oração:
Senhor Deus, nós confessamos que somos facilmente atraídos por atalhos, por autoindulgência, por espetáculo e por controle. Perdoa-nos quando nós tentamos viver pela nossa própria força e não pela tua Palavra. Nós te agradecemos porque Jesus venceu no deserto por nós e permaneceu fiel até a cruz. Sustenta-nos nesta Quaresma com a tua Escritura. Dá-nos fome do que tu dizes, e firmeza para resistir ao mal, confiando em Cristo, nosso Salvador. Em nome de Jesus. Amém.

Desafio do dia:
Escolha uma das respostas de Jesus em Mateus 4 e carregue ela no bolso do coração hoje. Repita em voz baixa quando vier a tentação: “Nem só de pão viverá o homem…” ou “Ao Senhor teu Deus adorarás…” ou “Não tentarás o Senhor teu Deus…” E, junto disso, faça um gesto simples: abra a Bíblia e leia Mateus 4:1-11 inteiro. A Palavra é o alicerce. ?✝️

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