Na Quaresma, especialmente perto do fim, nós já estamos cansados. As promessas de “vou mudar” da Quarta-feira de Cinzas esbarram na realidade, e o coração começa a perder fôlego. É aí que a Igreja nos coloca em João 11, não diante de um conselho moral, mas diante de um túmulo. Lázaro está morto. Há pedra, há cheiro, há silêncio. E Jesus diz uma frase que nos desconcerta: “Retirem a pedra”. Não é um convite para fingir que está tudo bem, é a misericórdia de Deus encarando o que nós preferimos manter selado.
Tem verdade que sabe diagnosticar, mas não sabe ressuscitar. A verdade, sozinha, só confirma o que a morte já sabe. Por isso o centro do texto não é explicação, é voz. Jesus chora, se aproxima, manda abrir, e chama: “Lázaro, vem para fora”. Lázaro não coopera, não melhora, não “se resolve”. Ele é chamado e recebe vida. E quando ele sai, ainda com cara de morto, vem o mandamento final: “Desatem-no e deixem-no ir”. Assim também conosco: a absolvição não é prêmio depois que nós arrumamos tudo. É a palavra de Cristo que interrompe a lógica da vingança e da condenação, e faz a morte escutar. ?️
? Oração
Senhor Jesus, nós confessamos que muitas vezes preferimos a pedra no lugar, porque sabemos como o medo, a culpa e a vergonha cheiram. Tem misericórdia de nós. Aproxima-te da nossa dor, fala a tua Palavra sobre os lugares selados do nosso coração, e chama-nos para fora pela tua graça. Sustenta-nos com o teu perdão, para que nós vivamos não da explicação, mas da tua voz. Amém. ✝️
? Desafio do dia
Escolha uma “pedra” que você tem mantido no lugar (culpa, medo, ressentimento) e leve isso em oração com honestidade. Depois, pratique “desatar os vivos”: envie uma mensagem simples a alguém oferecendo reconciliação, consolo ou perdão, sem discurso, só misericórdia. ??️