Deus recebe o nosso clamor e não permite que o mal tenha a última palavra.
Alguns salmos contêm orações que nos deixam desconfortáveis. Neles, pessoas feridas pedem que Deus julgue e castigue seus inimigos. Essas palavras não nasceram de pequenos aborrecimentos, mas de traições, violência, perseguições e injustiças profundas. A Bíblia não obriga a vítima a fingir que o mal foi pequeno ou que a dor já passou. Deus permite que os feridos levem até Ele sua tristeza, sua raiva e até as palavras que têm vergonha de pronunciar.
Entregar a raiva a Deus é diferente de fazer justiça com as próprias mãos. O salmista não planeja pessoalmente sua vingança, mas coloca a causa diante do Senhor, pois está escrito: “A vingança é minha; eu retribuirei” (Deuteronômio 32.35). Deus não aprova o ódio nem o desejo pecaminoso de vingança, mas deseja que confessemos esses sentimentos em vez de alimentá-los secretamente. Podemos falar com Ele com sinceridade e pedir que nos proteja de agir dominados pela raiva.
Jesus também foi traído, humilhado e condenado injustamente. Contudo, “entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pedro 2.23). Na cruz, Cristo recebeu o julgamento contra o pecado e orou por seus inimigos. Ali vemos que Deus leva o mal a sério, mas também oferece perdão aos pecadores. Talvez você ainda não consiga esquecer aquilo que sofreu. Leve sua ferida a Cristo. Ele acolhe seu clamor, impede que a vingança domine você e promete fazer justiça, curar suas feridas e conduzi-lo pelo caminho do perdão.
Senhor Deus, tu conheces a injustiça que sofri e a raiva que ainda existe em meu coração. Recebe meu clamor e não permitas que eu faça justiça com as próprias mãos. Entrego a ti aqueles que me feriram. Julga com justiça, protege os que sofrem e, por causa de Jesus, livra-me do ódio. Conduze-me, no teu tempo, pelo caminho da cura e do perdão. Amém.
Conte a Deus, com palavras sinceras, uma ferida que ainda provoca raiva em você. Entregue a Ele o direito de julgar e decida não praticar nenhuma forma de vingança.