O Evangelho não manda “parar de ter medo”. Ele promete amor que expulsa o medo ❤️✝️
Você já percebeu como, no Brasil, amizades e famílias estão virando campo minado? Um comentário sobre política, segurança, imigração, economia, pandemia, escola, qualquer tema quente, e pronto: alguém “já sabe” o que você pensa, por que você pensa, e que tipo de pessoa você é. Nem sempre tem briga. Às vezes é pior: é o silêncio. A conversa morre antes de nascer. A relação vai esfriando e ninguém diz claramente por quê.
O que assusta não é o fato de cristãos discordarem. Isso sempre existiu. O que assusta é a velocidade com que a discordância vira julgamento. A pergunta deixou de ser “o que você pensa?” e virou “de que lado você está?”. E, muitas vezes, quem está dirigindo o volante é o medo.
Medo da violência. Medo da injustiça. Medo de perder direitos. Medo de perder ordem. Medo de ser enganado. Medo de ser cancelado. Medo de parecer frio. Medo de parecer ingênuo. Medos diferentes, o mesmo estrago: a gente começa a ver ameaça onde deveria ver vizinho.
A Escritura leva o medo a sério, não só como emoção, mas como força espiritual. Jesus diz: “Não temam” e, quando Ele diz isso, não está fazendo discurso motivacional. Ele está disputando o trono do coração. Porque quando o medo sobe ao trono, ele vira ídolo. Ele passa a prometer proteção, controle e pureza moral. E aí o resultado é bem previsível: simplificação grosseira, suspeita automática, rótulos rápidos, desprezo silencioso.
Mas Deus dá outro começo: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv 9:10). Temor do Senhor não é pânico. É confiança reverente. É saber que Deus não está em desespero, não foi pego de surpresa, não perdeu o governo do mundo. Isso muda a postura. Dá para manter convicções sem virar carrasco. Dá para ter compaixão sem virar ingênuo. Dá para enxergar complexidade sem perder a firmeza.
E aqui entra uma disciplina bem contracultural: escuta lenta. Tiago diz: “todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tg 1:19-20). Isso não é covardia. É sabedoria. É resistir à pressa de ter opinião pronta antes de ter entendido gente de verdade. É lembrar que “quem primeiro apresenta a sua causa parece ter razão, até que outro venha e o examine” (Pv 18:17).
Só que, no fim, a Bíblia não resolve o medo principalmente com mandamentos do tipo “seja melhor, se controle, capricha na paciência”. Ela vai mais fundo. Ela confronta o medo com promessa. “No amor não há medo; pelo contrário, o perfeito amor expulsa o medo” (1Jo 4:18). Não é o meu amor falho. É o amor perfeito de Cristo. Amor que não depende de humor, de manchete, de partido, de algoritmo, de aprovação social. Em Cristo, nós já fomos conhecidos por inteiro e não fomos descartados. Já fomos julgados na cruz e absolvidos na ressurreição. Isso desloca o medo do centro.
Quando essa promessa governa, nós ficamos livres. Livres para ouvir sem pânico. Livres para discordar sem desprezo. Livres para conversar sem transformar o outro em inimigo. Livres até para dizer “eu não sei” sem achar que isso é derrota. Porque nossa identidade não está em estar certo. Está em pertencer a Jesus.
Oração ?
Senhor Deus, Pai amado, nós confessamos que muitas vezes o medo tem comandado nosso coração. Perdoa-nos por rotularmos pessoas, por endurecermos a alma e por deixarmos a caridade esfriar. Dá-nos o teu temor santo, que confia em ti acima de todas as ameaças. Ensina-nos a ouvir com humildade, a falar com mansidão e a suportar uns aos outros em amor. E quando o medo voltar, lembra-nos da tua promessa: em Cristo somos perfeitamente amados. Em nome de Jesus. Amém.
Desafio do dia ?
Escolha uma pessoa com quem você anda evitando certos assuntos. Hoje, faça um ato simples de reconciliação: mande uma mensagem curta, sem debate, só abrindo espaço. Algo como: “Eu valorizo nossa amizade. Eu queria te ouvir melhor e conversar com respeito”. E, antes de qualquer conversa, ore 30 segundos pedindo a Cristo: “Senhor, livra-me do desprezo. Dá-me amor e verdade”.